Carta
Tens-me pendurada na tua vontade e acho que nem sabes. Brincas, pões e dispões e depois esqueces. Não creio que faças por mal, acho que no fundo nem me vês. Falas-me e respondes-me, lidas comigo educadamente, como a delicadeza que é constante em ti te exige. Mas no fundo não me vês. Sou, afinal, mais um cromo na caderneta, essa onde guardas as pessoas que passam pela tua vida. Desenvolvemos esta amizade competente que, parece-me sempre, vai-se construindo por uma quase obrigação em corresponder, mas tenho a sensação de que a vontade, aquela que devia ser o motor de uma verdadeira amizade, fica sempre esquecida. As palavras bonitas que são rotina em ti não significam já quase nada e transformam-se em fumo assim que saem da tua boca. E a poesia é agora uma construção plastificada que já não quer dizer nada. Porque as palavras não são consistentes com os olhos e com as mãos, esses são apenas vazios e desprendidos.
Queria perguntar-te porque continuas aqui, não estando aqui. Porque estás sempre aqui e nunca estás. Queria perguntar-te porque insistes em adubar uma amizade que não te interessa, não te entusiasma e não te satisfaz. Queria mesmo perguntar-te o porquê de toda essa gentileza construída que só desgasta o pouco de natural que ainda existe em nós.
Eu, deste lado, continuo presa por um fio a um sentimento que é só meu e que tu, por ignorância ou capricho, insistes em manter em lume brando, para que nunca arrefeça, mas que também nunca ganhe uma chama verdadeira. E o que me dói todos os dias é que és para mim muito mais do que eu sou para ti. E não vês.
Tal bonito não fora tão triste.E a tua tristeza é a minha tristeza.
Mãe
Cratera de
Anónimo |
17:56
Há coisas que não são para ser compreendidas...
Cratera de
Unknown |
20:32
Como diz a minha avó: lá por morrer uma andorinha, não acaba a primavera!
Falar é fácil, mas corta esse fio que te prende e sorri que a primavera está mesmo aí à porta! ;)
Cratera de
mOrFeX |
12:05